Destino correto
TRF 4 - Analice Bolzan

Antes ela era usada quase que exclusivamente em salas comerciais como escritórios e lojas. Hoje, a lâmpada fluorescente também ganhou espaço nas residências do país. O motivo é a economia. A iluminação é responsável por até 15% da conta de luz. A fluorescente pode diminuir esse gasto em até 85%. Além disso, ela dura 12 mil horas contra mil horas da lâmpada de filamento comum.

Mas a exposição excessiva à lâmpada fluorescente, que contém metais perigosos, pode prejudicar a pele. “O grande problema é que algumas emitem junto com a luz visível uma quantidade variável de ultravioleta. A radiação do ultravioleta A e B já se sabe que é indutora de câncer de pele”, alerta a dermatologista Berenice Capra.

Se quando inteira todo o cuidado é pouco, depois de ser quebrada a atenção deve ser ainda maior. A lâmpada fluorescente libera vapor de mercúrio que causa intoxicação. O perigo pode permanecer no ar até 20 dias e provocar graves prejuízos à saúde. Na hora de jogar fora a lâmpada quebrada ou queimada, mais um problema. Ela quase nunca vai parar onde deve. O descarte errado contamina o meio ambiente. Uma única lâmpada é capaz de tornar não potável cerca de 20 mil litros de água.

No Brasil não existe uma lei federal para produtos que contenham mercúrio, como as lâmpadas. Alguns municípios e estados têm regras e penalidades para o manejo desses materiais. No Rio Grande do Sul, os estabelecimentos comerciais são responsáveis pelo encaminhamento das fluorescentes ao fabricante para o descarte correto.

As pessoas sabem que a fluorescente é perigosa, mas reclamam da falta de informação. “A gente não recebe orientação necessária. Sobre as lâmpadas se fala muito pouco em reciclagem”, reclama a comerciante Conceição Soares. A realidade é que 94% das 100 milhões de lâmpadas fluorescentes consumidas por ano no Brasil vão parar nos lixões e aterros sanitários. Num prédio público de nove andares, como o Tribunal Regional Federal da Região Sul, por exemplo, cerca de 1,5 mil lâmpadas fluorescentes são descartadas a cada ano.

No Tribunal, no entanto, o que poderia ser prejuízo ambiental, tem destino correto. As lâmpadas queimadas são retiradas com equipamento de proteção para que não haja risco de contaminação em caso de quedas. Ao invés do lixo comum, elas são guardadas em um depósito, na embalagem original, em prateleiras. As quebradas ficam em caixas hermeticamente fechadas que evitam o escapamento do gás tóxico. Duas vezes por ano, uma empresa especializada busca as lâmpadas para fazer a descontaminação. Todos esses cuidados fazem parte do trabalho da Comissão de Gestão Ambiental do TRF da 4a. Região. Desde 2000, cem servidores atuam no gerenciamento adequado dos resíduos produzidos no prédio.

É uma batalha difícil que inclui a mudança de hábitos, já que apenas 3% por cento dos órgãos públicos do país dão um destino final correto para as lâmpadas fluorescentes. Mesmo assim, os servidores garantem que a luta vale a pena.

Esta matéria foi exibida no Via Legal 231 em 7/2/2007


  

 

...