Energia alternativa
TRF 5 - Julieta Jacob

Logo na entrada da cidade de Olinda, em Pernambuco, ela se destaca. Chama a atenção principalmente pelo tamanho, trinta metros de altura. Não importa a hora. Dia e noite a turbina gira sem parar. Mas quase ninguém sabe exatamente o que é e para que serve. Quem arrisca um palpite, passa perto. Girador e catavento são algumas das opiniões. Catavento é o apelido que a turbina eólica ganhou dos moradores Para o balconista Givanildo Gomes, a peça serve de referência. Ele conta que costuma marcar encontros com amigo próximo à turbina.

A engenheira mecânica Andréa Carla Lima explica que o mecanismo de funcionamento é praticamente o mesmo de um catavento e que ao girar a peça movimenta o motor e assim, garante a produção de energia.

A turbina foi instalada por iniciativa da Universidade Federal de Pernambuco e o Centro Brasileiro de Energia Eólica. Na época, a União tentou impedir que ela fosse instalada no terreno que pertence à Marinha. O impasse durou cerca de seis meses e só foi resolvido na Justiça Federal, que determinou a liberação da área. Hoje, além de ser a turbina mais antiga em funcionamento no Brasil, ela é também referência na pesquisa sobre o uso da energia eólica no país.

O funcionamento da turbina é monitorado por um programa de computador. Os dados estão sendo coletados desde o início dos trabalhos, há oito anos. O resultado já serve de referência nacional no estudo da energia eólica.

A capacidade da turbina, considerada de médio porte, é suficiente para iluminar parte do sítio histórico de Olinda, uma área com cerca de mil habitantes. A idéia inicial era tirar da conta da prefeitura o valor da iluminação pública referente à energia gerada pela turbina. A operação não acontece simplesmente, porque não existe uma legislação que autorize o procedimento.

A experiência de Olinda é só o primeiro passo de um projeto que tem tudo para crescer. Em 2002 foi criado o Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica, o Proinfa. A previsão é que nos próximos dois anos, mil turbinas sejam instaladas em todo o Nordeste, região do país com o maior potencial para o desenvolvimento da energia eólica e que deve receber um U$ 1,5 bi em investimentos do setor privado.

O setor de energia eólica é um dos que mais crescem no mundo, uma média de 40% ao ano. No Proinfa, o governo federal se comprometeu a comprar, através da eletrobrás, mil e cem mega watts de energia eólica, para ser revendida às distribuidoras estatais. Apesar do incentivo, o diretor do Centro Brasileiro de Energia Eólica, Everaldo Feitosa, diz que o crescimento dessa fonte de energia ainda é muito lento no Brasil se comparado a outros países. Para ele, os conflitos internacionais pela descoberta de novas fontes de energia devem crescer e nesse contexto, a energia eólica pode ganhar um bom espaço, principalmente por ser uma alternativa econômica.

Hoje existe uma parceria entre a Universidade Federal de Pernambuco e a Marinha para que a turbina seja mantida no terreno da União. UFP se responsabiliza pela limpeza da área enquanto a marinha cuida da segurança. Pelo menos por enquanto, o sistema continua sendo uma novidade no Brasil, tão distante e estranha quanto a turbina na entrada de Olinda.

Esta matéria foi exibida no Via Legal 199 em 1/7/2006


  

 

...